Dia 45 - Feira da Ladra e Santa Engrácia

Acordei decidida a enfrentar o calor e partir pra Alfama, o meu bairro preferido. Esse lugar é a cara de Lisboa, cheio de ruazinhas sinuosas, ladeiras estreitas, escadinhas íngremes e varais coloridos. Perfeito pra se perder. Sabe a ideia que você tem na cabeça sobre essa cidade, coisas que você viu em filmes e fotos? É lá que você encontra esse cenário.

Grande parte das casas de fado mais famosas ficam por lá e muitos restaurantes bons também. Mas nesse dia eu fui atrás de um evento famoso que acontece toda terça-feira e sábado: a Feira da Ladra. Já perdi a conta de quantas vezes estive no Campo de Santa Clara na terça-feira, mas sempre vale a pena ir de novo porque a feira se renova. Em resumo, lá se vende de tudo. Mesmo. De pilha a rádio antigo. De carregador de celular a azulejo do século XVII. De bolsa de grife a toalha de mesa. De louça antiga a sapato velho. Se bobear, você acha a mãe de alguém sendo vendida.

A Feira da Ladra, cujo nome pode se dever aos produtos de origem duvidosa existentes por lá ou ao fato de que antes a feira ladeava ("lada") o rio, começou no século XIII (!!!!) e rodou por alguns lugares da cidade até se fixar no Campo de Santa Clara, em 1882. Logo se vê que desde que o mundo é mundo o povo gosta de comprar quinquilharias. E isso me inclui totalmente. Meus olhinhos ficam loucos quando tô andando por ali, entre a infinidade de coisas baratas espalhadas por tapetes sobre o chão. Basicamente, o que mais me encanta são as louças e eu sofro por elas pesarem tanto na mala.

Quando eu já não estava mais aguentando o calor, fui descansar e sentir o vento no meu lugar em Lisboa: o Panteão Nacional. O prédio foi mandado construir por D. Maria (filha de D. Manuel I) e inicialmente seria uma igreja, mas 400 anos depois, quando ficou pronta, acabou por sedear o Panteão. Adoro esse lugar por vários motivos. É lindo demais por fora, todo branquinho e com a cúpula redondinha, e por dentro, em mármore colorido. Está sempre vazio, em qualquer época do ano e é possível tirar fotos do mosaico no chão sem nenhum pezinho te atrapalhando. Tem trilha sonora, que varia entre música clássica e Amália Rodrigues (cujo túmulo se situa ali). Do terraço, onde bate um vento delicioso, tem-se uma vista linda de Lisboa, com uma boa parte do Tejo e a Alfama. 

Dessa vez ainda tinha uma exposição com obras de arte feitas pela pintora Isabel Nunes, misturando pintura e colagens em retratos sem rosto. O tema da exposição é a "Geração de 500", tratando dos navegadores, governantes e artistas europeus que marcaram o século XVI. Coisa linda.

A Alfama tem mais um monte de coisa linda pra falar. Amanhã eu continuo.

6 comentários:

  1. Carol, eu acho que o Eduardo Bueno vai te contratar para escrever o próximo livro...
    Que bom já ter estado com vc nesses lugares!!!

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    1. hahahaha vc acha, mãe?! vou esperar ele me ligar!hahaha

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  2. Filha...linda fotos...lindo texto...saudades de Lisboa...saudades de vc...mais um ponto que nos une: este gosto por quinquilharias!!

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  3. gente, que dia delicioso de se viver! to com mta inveja, mas mto feliz por vc tbm! hehe!
    compra tudo e revende no ebay pra colecionadores que nem o cara da Hermes! hahaha

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