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Dia 53 - Gulbenkian e Miradouro da Graça

Gente, mil desculpas pelo sumiço! A verdade é que eu resolvi aproveitar cada segundo dos meus últimos dias em Lisboa.  Tem tanta coisa acontecendo que o tempo em Portugal já parece ter ficado em um passado meio distante. Mas, graças a uma feliz coincidência (1 mês que deixamos Portugal + um Globo Repórter sobre as maravilhas gastronômicas da terrinha) eu voltei e vai demorar pra eu largar esse espacinho de vez. Acreditem e voltem vocês também!

Voltemos ao dia 53. Perto do final do nosso tempo em Portugal, percebi que tinha uns lugares que eu queria conhecer, mas fui adiando, adiando... Nesse dia fui até o Museu Calouste Gulbenkian. Já tinha ouvido falar muito bem da coleção e do jardins em volta da Fundação, onde fica o Museu. E eu fico muito impressionada com essas pessoas obcecadas apaixonadas por arte a ponto de tornarem sua própria casa um museu. A cada corredor, tinha uma foto com os quadros, esculturas e vasos quando alocados na própria mansão do colecionador, em Paris. Tudo que ele colecionou acabou por ser distribuído por vários museus entre Europa e Estados Unidos. Diz-se que  seu sonho, ao final da vida, era que todas as peças da sua coleção ficassem sob um só teto. Isso aconteceu 14 anos depois que ele morreu, em Lisboa.

O Museu não é muito grande, mas as peças que constam da coleção são mesmo muito interessantes e preciosas. Arte grega, romana, islâmica, egípcia, chinesa. De tudo um pouco. Confesso que tenho dificuldade de apreciar arte proveniente de continentes que não seja o que eu estou. Não gosto de ver pedaços do Egito estando fora do Egito. Acho a coisa mais linda as louças chinesas, mas sei que vai ter um gosto muito mais especial quando eu estiver na China. Mas não posso negar que a coleção é toda linda sim. E se você estiver em Lisboa por mais tempo que os habituais 5 dias do turista tradicional, vale a pena conhecer.

No final da tarde, Leandro chegou animado para uma subida ao Castelo de São Jorge. O intuito era tirarmos fotos da vista de Lisboa à noite, inspirados pela grande foto que cobria uma das paredes do nosso lar lisboeta. Quando a gente chegou lá em cima havia uma confusão de estudantes por conta da praxe dos "caloiros" (é tipo o nosso trote, mas esse assunto fica pra um outro post). Somado a isso o fato de que teríamos que pagar para entrar no Castelo fez com que decidíssemos seguir até outro local pra conseguirmos as tais fotos. Subimos, então, até o Miradouro da Graça, onde fica a Igreja de mesmo nome. Enquanto eu curtia  o ventinho frio, o Leandro tirou várias fotos belíssimas, também dignas de exposição no nosso apartamento, agora em Niterói.

Dia 46 - Mais Alfama

(Porque esse bairro é tão lindo que merece 2 posts.)

Sabe qual é a dica mais importante para um roteiro na Alfama: se perder e gostar disso. Fica tranquilo que pelas ladeiras você vai encontrar belos cenários para suas fotos e, com a ajuda das placas, vai se deparar com os lugares turísticos. Vou aproveitar pra ressaltar que Lisboa não é a cidade ideal para aqueles que não gostam de andar. A rede de metrô e ônibus nos serve muito bem sim, mas há lugares em que estes não chegam (graças a Deus) e a verdade é que muito da graça de estar aqui é colocar os nossos pezinhos em cada escadinha e perder tempo por ali. 

Um percurso que eu gosto de fazer é subir (de ônibus, para os fracos) até o Castelo de São Jorge, que tem uma vista maravilhosa da cidade toda, e depois ir descendo pelo bairro até a Baixa. No castelo rolam vários eventinhos, como peças pras crianças sobre a história do país. Uma coisa que a gente amou visitar, e que vale esperar o horário para conhecer, é o periscópio: uma invenção de Leonardo da Vinci reproduzida no castelo. Através desse aparelho você consegue ver a cidade todinha em tempo real!

Outro lugar ótimo pra contemplar a vista é o Miradouro de Santa Luzia. Fica do lado de uma igreja de mesmo nome, que tem do lado de fora um painel enorme de azulejos retratando a Praça do Comércio antes do terremoto de 1755. A vista que se tem de lá é simplesmente espetacular.

Logo abaixo fica a Sé de Lisboa. Ladeada por laranjeiras é o fundo das fotos mais famosas dos bondinhos que circulam por Lisboa. A foto é mesmo linda e irresistível. Toda vez que vamos lá, ficamos esperando o bondinho descer só pra fazer o click clássico. Essa igreja, depois de muito sofrer com terremotos, acabou resultando numa mistura de estilos gótico e românico. Ao lado da Sé tem um cafezinho que eu adoro, o Pois Café, que assim foi chamado porque as donas, austríacas, quando aqui chegaram acharam muita graça do "pois". O ambiente é uma graça, cheio de mesas grandes, livros e cadeiras descombinadas. Ah, e a comida é bem boa também.
Outra igreja que é bem bonita é a de São Vicente de Fora. Adoro essas construções branquinhas porque elas combinam perfeitamente com o céu azul, que é uma constante por aqui, principalmente no verão. Por dentro, assim como  a maioria das igrejas em Lisboa, ela não é muito ornamentada ou dourada. Não sei se isso acontece por conta dos portugueses terem perdido todo ouro brasileiro pro resto da Europa ou porque, depois de terremotos e incêndios, seja complicado recolocar tudo no lugar. Ou pelos dois motivos.

No final de tudo isso deu fome? Segue o cheirinho de sardinha na brasa. Uma dica é o Pateo 13, do qual eu falei aqui, mas ele só fica aberto no verão.