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Dia 47 - Ruínas do Convento do Carmo e Chiado

Depois do almoço, subi a Rua do Sacramento para conhecer por dentro as Ruínas do Convento do Carmo, que abrigam também o Museu Arqueológico do Carmo. Já tinha falado sobre esse lugar aqui, mas ainda não o conhecia, pois quando fomos até lá, na temporada passada, o Museu estava fechado, então só conseguimos fotografar as ruínas por fora, no caminho pra saída do Elevador de Santa Justa.

O Convento, fundado em 1389, foi quase que completamente destruído pelo (todos dizem em coro) "terremoto de 1755" e pelo incêndio que assolou a cidade em seguida. Até começaram sua reconstrução em 1834, mas esta não continuou, tendo sido feitos somente os pilares e os arcos da nave da igreja. Dali um pouco, ainda no século XIX, com a influência do iluminismo, decidiram que as ruínas seriam mantidas como estavam, pois o prédio não seria reconstruído. 

Que  insight que esses caras tiveram! O lugar é fabuloso, como os portugas gostam de dizer. Por mais linda que a igreja fosse antes, o clima que as ruínas trazem é muito diferente e encantador. O céu estava azul, sem nenhuma nuvem, o que deixou tudo em seu estado de perfeição. Tive que me controlar para conseguir parar de tirar fotos dos arcos emoldurando aquela imensidão de azul. Nas paredes em volta das ruínas, há algumas peças que foram encontradas e recuperadas. E encostado em um dos pilares, dou de cara com um espelho novo e enorme, o que me fez abrir um sorrisão.

Nos fundos, há o Museu, que tem como objetivo guardar parte do patrimônio arqueológico nacional, bem como fotos e livros sobre o assunto. Minha sala preferida foi a biblioteca que, a despeito da presença de 2 múmias sentadinhas bem no meio, é linda, abarrotada de livros e apresenta, em um das paredes, painéis de azulejo retratando a Paixão de Cristo.

Saí dali e fui andar mais um pouco pelo Chiado, que estava em polvorosa por conta do evento da Vogue, o Fashion's Night Out, que se realizaria logo mais. Eu adoro esse bairro porque ele parece formado por portais mágicos. Você pode subir uma escadinha e cair numa praça enorme, que não tinha ideia que existia.  Geralmente quando você conhece um lugar melhor, você tem a impressão de que ele se tornou menor do que antes. Com o Chiado é o contrário: a medida que conheço mais, maior ele fica.

Dia 09 - Ao redor

Hoje a gente resolveu fazer um passeio que, por incrível que pareça, ainda não tínhamos feito: conhecer o entorno da nossa casa.

Quando Lê chegou do trabalho, saímos pra caminhar começando pelo Parque Eduardo VII, que fica aqui do ladinho, colado no Marquês de Pombal, passamos pelas Amoreiras, tentando encontrar a tal padaria do Seu Kayser (e encontramos) e voltamos pelo Rato.


Tínhamos estado no Parque Eduardo VII antes para a Feira do Livro de Lisboa (foto aí de cima), mas nunca tínhamos caminhado por lá por não ser bem o lugar ideal para sedentários como nós: fica numa ladeira giga. Mas a vista de lá de cima compensa toda a falta de ar. Pudemos admirar uma bela vista da cidade, do Marquês até o Tejo.


Todos esses lugares são muito frequentados pelo lisboetas, mas não são muito turísticos, apesar de toda a história que carregam.

A começar pelo Marquês de Pombal, que é um dos caras mais adorados pelos portugueses, pois ele foi o responsável pela reconstrução de Lisboa depois do tal terremoto de 1755. A praça construída em sua homenagem é adornada por esculturas que simbolizam a tragédia e o reerguimento da cidade. Além disso, foi lá que ocorreram situações que levaram à proclamação da República desse país.

O Parque Eduardo VII tem esse nome em babação de ovo homenagem ao rei da Inglaterra que havia visitado Lisboa em 1902, um ano antes da inauguração do parque, para reafirmar a aliança entre os dois países.

Tô aprendendo tanto escrevendo por aqui...