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pra renascer em firenze

Nosso último destino da viagem à Toscana. A verdade é que o que nos levou à Toscana foi Florença. E o que me fez chegar à Florença foi o Renascimento. Explico. Há alguns meses tomei uma das decisões mais felizes da minha vida: comecei um curso de História da Arte. O assunto sempre me interessou, mas antes preferia perder tempo estudando o Código de Processo Civil e ainda não tinha me aprofundado nesse interesse. Um dia aparece no meu facebook (naquela época em que ele me mostrava coisas bonitas e produtivas) uma escola de arte pertinho de casa. Morando na Europa, sem trabalhar, seria o momento ideal pra realizar esse sonho. E foi. Em outra hora também seria. Qualquer momento é ideal pra aprender sobre o que a gente gosta.

Logo de início, minha linda professora (que saudade que eu sentia de ter uma professora pra amar) nos falou sobre o Renascimento e a importância desse movimento pra Arte. Pra quem tá um pouco perdido, estou falando sobre belezas como as que Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, por exemplo, produziram. O berço do Renascimento é a cidade de Florença. E todas as quartas-feiras piscava na minha mente: preciso conhecer esse lugar.


E lá eu aprendi ainda mais. E ensinei pro Leandro. Enquanto observava a arquitetura, os quadros, as esculturas e as cores. Ocre, mostarda, salmão, terra e seus tons. Imaginar que os mesmos passos que eu dava também já foram dados por artistas tão importantes, há mais de 500 anos atrás, é uma sensação que eu adoro. Olhos ávidos pra andar pelas ruas e pontes sobre o rio Arno. Olhos fechados pra descansar deitados no chão da praça do Palazzo Pitti.

Nunca visitar museus foi tão interessante e prazeroso. E olha que eu já curtia bastante esse tipo de programação. Gostei muito das Galerias Uffizi, pela quantidade de arte exposta e informações sobre o Renascimento, principalmente. E amei o Museo di San Marco, pela história e simplicidade que o lugar carrega, tornando ainda mais especial a apreciação dos frescos de Fra Angelico, um pioneiro no estudo e utilização de técnicas revolucionárias para a pintura.

Na Piazzale Michelangelo, avistamos Florença de cima. Pensava quão inspirados estavam os artistas que construíram toda aquela riqueza, que seria somada à beleza natural já criada pelo arquiteto maior. Outras visões, como a da Ponte Vecchio, tão presente em vários momentos históricos da cidade, são como quadros materializados, vivos. Fiorentinos e turistas dividindo espaços que, pintados sob a ótica renascentista, seriam protagonizados por Pedros, Marias e outros santos que viveram há tempos atrás.


Outra arte italiana extremamente famosa é a culinária. Nesses 2 dias e meio comemos muito bem. Mas tenho que confessar que estou ficando bem crítica depois de 1 ano morando em Portugal, onde a comida é quase sempre deliciosa. Além disso, meus dotes culinários tem sido aprimorados, graças a boas influências na minha vida portuguesa (né, Fernanda?!). A melhor refeição desses dias, então, foi degustada no "nosso ap", feita por mim, com massa fresca, tomatinhos, mozzarela de búfala e muito amor.

A Itália foi tão linda, mais uma vez, pra gente, que nem o fato de perdermos nosso vôo de volta pra Portugal pôde chegar perto de estragar nossa experiência! Conselho (e nota mental pra mim mesma): na última noite, se hospedem perto de onde seu vôo sai. Depois do desespero momentâneo (era Páscoa e os vôos estavam lotados) tivemos algumas horas de espera em aeroportos que nos permitiu rever nossas fotos e reviver nossos bons dias.

Grazie e arrivederci, Italia! Até daqui a bem pouquinho...



Toscana è amore!

A Toscana é um dos destinos mais procurados por pessoas que vivem um romance e foi um dos lugares pelos quais quisemos passar para comemorar nosso quinto aniversário de casamento. Sim, já são 5! Mas com carinha de 2! Eis alguns dos fatores que mais nos encantaram por lá.


{A estrada} Montanhas, tons de verde, caminhos sinuosos, árvores agrupadas lindamente, vinhedos, resquícios da Idade Média. O caminho que se percorre é mais um dos fatores a serem apreciados quando se passeia pela Toscana. Viajar de carro por essa região é uma boa, pois te permite acompanhar a paisagem e parar quando quiser. Pra compor sua trilha sonora, sugiro essa canção

{A Torre de Pisa}  Aí vc vai pensar: "Ah, mas eu não aguento mais a Torre de Pisa! É tanta foto, tanta gente falando sobre, que já até enjoei sem nunca ter estado lá! Chega de ouvir falar sobre ela!" Eu concordo. Mas como eu não vou ouvir, mas sim falar (ou escrever), lá vai! Esse lugar é simplesmente sensacional! Você não precisa fazer a foto que todo mundo faz, se vc acha ridículo. Basta sentar no Campo dei Miracoli e apreciar o milagre que é olhar pra torre e vê-la em pé. Um beijo pra equipe de engenharia que fez a burrada de construir uma torre tão pesada num solo inapropriado, mas que, assim, colocou essa cidade no mapa. E outro pro pessoal que deu um jeito de manter a torre existente e torta, tornando-a um quase arco. Nenhuma foto capta a imponência, beleza e torteza dessa construção. A sensação de que vai cair a qualquer momento não passa. E no final, vc já vai estar lá, fazendo pose pra tirar a foto que todo mundo tira! Ou pelo menos a foto da foto que todo mundo tira.

{A muralha de Lucca}  Já tinha lido em alguns lugares que deveríamos alugar bicicletas e dar uma volta pela muralha da cidade. Estamos acostumados com a muralhas aqui em Portugal que são altas e bem estreitas e achei a sugestão aí de cima bem radical. Até a gente dar de cara com a muralha de Lucca e entendermos a dica. Muito largos, os muros se tornaram uma espécie de parque onde as pessoas passeiam com o cachorro, com as crianças, caminham, correm e pedalam. Foi uma delícia sentir o ventinho no rosto ao rodarmos aqueles 4 quilômetros avistando a cidade de cima.


{O melhor sorvete do mundo}  No meio de becos medievais de uma cidade que parece uma fortaleza, procure as filas e você vai encontrar os melhores gelatos do mundo. Em San Gimignano, mais precisamente na Piazza della Cisterna, fica a Gelateria Dondoli, que ganhou o prêmio de melhor sorvete do mundo durante alguns anos. Só a avistamos depois que já tínhamos entrado na fila da Gelateria dell'Olmo, que tem uma placa enorme onde se lê "the best ice cream in the world". Li por aí que é só marketing e nenhum prêmio,  mas o cone com fondente di cioccolato, fior de latte e nocciola que degustamos foi, sem dúvida, o melhor sorvete que já tomamos na vida. E olha que só nessa viagem eram uns 2 por dia! Só nos arrependemos de não termos voltado pra comprar outro.

{Uma catedral listrada}  E no meio do cenário escuro e medieval de Siena desponta o Duomo di Siena, em mármore predominantemente preto e branco, o que nos permite cair de amores por uma igreja estampada. Por dentro, colunas e paredes também listradas, além de outras belezuras dispostas naquele espaço monumental, como o chão decorado e esculturas. De boca aberta, passamos um bom tempo olhando pra fachada daquela igreja e acompanhando o movimento das nuvens refletidas no vitral redondo. Um santuário enorme, mas ainda minúsculo se comparado ao que ele tenta conter.


{Os cantinhos aconchegantes}  Escolher hotel pela internet, sem indicação, é sempre um risco. Nesses dias fomos agraciados com 2 boas surpresas: a Casa Soleluna, em Cortona e o B&B Il Callare, em Lucca. Os dois fora das cidades (o que é ótimo pra quem está de carro e precisa de lugar pra estacionar perto de onde vai dormir), novos e com ambientes super agradáveis, assim como os donos.

P.S: Como tem muita coisa por esse mundo internético sobre os lugares que visitamos, preferi falar de uma forma diferente sobre a nossa experiência. Mas se algum de vcs quiser um roteiro mais específico ou ajuda com algum detalhe sobre os lugares por onde passamos, pode me mandar um e-mail: anacarolalves@gmail.com.