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Dia 39 - A culpa é das estrelas, Luisa Sobral e Feel Rio

Na busca por lugares fresquinhos e divertidos, passei a tarde na Fnac. Escolhi um livro pela sua linda capa, cheia de estrelinhas e fachada de prédios de Amsterdam.    Pelo prefácio, me parece ser uma história triste. Ainda não comecei a ler, mas já recebi altas recomendações da Mari, que é expert em assuntos literários.

Também lá, avistei uma promoção de CDs de música portuguesa e de intérpretes portugueses. Procurei a Deolinda, mas não achei. Achei o CD "Cherry on my cake", da Luisa Sobral. Ela é portuguesa, mas esse disco é quase todo de composições dela em inglês, como essa. Tem umas 3 em português, entre elas "Xico". E ela faz uma música tão bonitinha, que eu não resisti.

Aliás, tenho encontrado muita música portuguesa de boa qualidade (brigada pelo António Zambujo, Laurinha) e descoberto, novamente, que as rádios populares não são boas parceiras para te ajudar a conhecer o que é bom. Realmente não aceito que as pessoas tenham encontros românticos a ver foguetões. De qualquer forma, estou providenciando CDs para melhorar a trilha sonora das nossas viagens.

Vou até lançar outra crítica aqui pra ver se me aparecem uns filmes portugueses bons. No momento, temos 2 filmes nacionais em cartaz. Um chama-se "Morangos com Açúcar - O filme", que é tipo a "Malhação" daqui transformada em filme. O segundo tem por nome "Balas e Bolinhos 3". Preciso falar mais alguma coisa?

No fim da tarde, encontrei com Leandro e fomos comer besteiras brasileiras numa lanchonete chamada Feel Rio (Rua do Crucifixo, 108). Matamos a saudade do pastel que vem com mais vento que recheio e do caldo de cana. Um dia eu falo que a gente tá light e no outro que a gente foi comer pastel. Oi, Contradição, já nos conhecemos, não é mesmo?

Dia 24 - Música popular

Sempre que eu e Leandro viajamos de carro, a gente passa boa parte do tempo rindo. E um dos motivos principais são as rádios portuguesas. Primeiro que eu ainda não consigo conter as risadinhas quando escuto certas palavras com o sotaque deles e segundo que eles tem músicas muito bizarras, com letras estranhíssimas. E eu passo mal de rir!

A verdade é que eu sempre tive um certo preconceito quanto à música portuguesa. Quer dizer, quanto à música portuguesa que eu conhecia: o fado. Meu pai ama, mas eu nunca gostei de escutar. Nem a sonoridade nem a mensagem me tocavam de uma forma boa. Pelo contrário, me irritava.


Até que um dia... Tínhamos comprado ingressos para o show da Maria Gadú que teria aqui em Lisboa e sabíamos que haveria um show antes, de abertura, do cara que canta uma música com ela no CD novo. Imaginando que seria fado, não fizemos questão alguma de chegar na hora. Chegamos uns 15 minutos atrasados, no meio do show do Marco Rodrigues e como eu me arrependi de não ter chegado mais cedo! A voz do cara era maravilhosa e as cordas que o acompanhavam de uma beleza sem igual. Alguns fados eram até alegres e aquilo sim era um show. Quase uma peça teatral. Pronto. Opinião modificada. Hoje, o que eu sei, de tudo que eu já escutei, é que não gosto muito de fado cantado por mulheres. Mesmo quando cantado pela amada dos portugueses: Amália Rodrigues. Embora saiba admirar, não me agrada ouvir por muito tempo. Mas adoro a voz masculina interpretando esse tipo de música.

Leandro ainda teve mais uma experiência, quando os pais dele estiveram aqui, que o fez gostar ainda mais de fado. Eles foram jantar em um restaurante que tem apresentações de fado, um dos maiores atrativos turísticos dessa cidade, que é o berço do fado, o qual era cantado pelas mulheres que ficavam aqui, chorando, quando os maridos e filhos embarcavam nas caravelas, sem data pra voltar. Bom, eles se encantaram por toda a cena em que estavam envolvidos. A dona do local que ora cantava ora servia as pessoas. As participações dos clientes na cantoria. A atenção e o silêncio absoluto requisitado para a apresentação.

Quanto às rádios, a não ser as especializadas, não tocam fado. Tocam basicamente músicas cantadas em inglês (70%) e músicas portuguesas. A música pop portuguesa é muito ruim. Na minha opinião. Até agora (rs). Gosto de várias melodias, mas as letras geralmente me incomodam. Essa música, por exemplo, é de um dos caras mais populares aqui. Ele faz parte de um grupo, os Azeitonas (hahaha) e também tem uma carreira solo. Eu até gosto da melodia, mas a letra é ridícula. Poderia ser uma crônica, sei lá, não uma canção. Tem uma outra, que é da banda acima e teoricamente seria romântica, mas pra mim tá mais pra uma piada brega. Leandro até perguntou no trabalho se alguém lá já tinha chamado alguma garota pra ver aviões ou automóveis! Tô aqui ouvindo pra colocar os links e tô rindo sozinha.

Percebemos também que os portugueses gostam bastante da música brasileira e admiram muito nossos compositores. (Eu tô falando de música boa. Mas eles também gostam do que a gente produz de ruim, assim como o mundo todo tem curtido. Já perdi a conta de quantas vezes escutei "ai, se eu te pego" por aqui.) É muito comum escutarmos músicas brasileiras nos restaurantes e cafés que frequentamos. E o show da Maria Gadú que a gente foi estava lotado, não só por brasileiros, mas também de portugueses, que pediram um segundo bis emocionante, fazendo com que ela voltasse pra cantar "shimbalaiê", que nem estava no repertório do show.

Dia 16 - Die Fremde e voltinha no parque

As Olimpíadas acabaram e eu me sinto orfã. Fiquei o dia todo ouvindo música. Descobri uma versão linda de uma música de uma das minhas bandas favoritas. Depois resolvi ver um filme que só piorou meu estado deprê.

O filme é alemão e se chama "Die Fremde" (em inglês "When we leave"). Roubei do HD do meu irmão, que tinha ouvido falar muito bem do tal filme. De início já dá pra perceber que o filme é triste. Mas é muito pior. Trata da história de uma mulher islâmica que tem um casamento infeliz e resolve voltar pra casa dos pais com o filho. Parece simples, né? Não na cultura dela.

Leandro chegou e tirou a gente de casa: eu, minha tristeza e meu mau humor. Fomos até o topo do parque Eduardo VII tirar fotos porque da última vez não tínhamos levado a máquina.

Voltamos e eu fiquei aqui aninhadinha nele, curtindo minha carência de segunda-feira.

Dia 08 - Verãozão

Acordamos depois do meio-dia e no final da tarde partimos pro picnic em Belém. O objetivo era assistir o pôr-do-sol por lá.

A gente tem andado pela cidade impressionados por como ela está diferente nessa temporada. O motivo é o verão!

Na primavera já encontrávamos muitos turistas pelas ruas, mas não há como comparar com esse momento. A cidade está cheia! Muito cheia! E você houve o tempo todo muitas línguas e sotaques, principalmente o inglês americano e o espanhol. Eles estão de férias e em busca do calor. Sem dúvida, Portugal é um dos melhores lugares pra passar as férias de verão. Desde que chegamos aqui, não choveu nenhum dia e o céu tá lindo, azul, sempre.

A costa do país também é linda e como é pequeno, as pessoas conseguem aproveitá-lo bem, mesmo que fiquem poucos dias.

Eu acho fofo como os europeus amam o verão, mesmo que essa estação não combine muito com eles. Hihi. Pra quem mora em uma cidade que tem o mesmo clima quase que o ano inteiro (nós), é muito estranho ver a reação do povo aqui ao verão. Que, aliás, é bem parecido com o inverno carioca.

Chegando em Belém tivemos uma surpresa. Tava acontecendo um showzinho de uma moça com uma voz muito bonita que cantava jazz, bossa nova e claro, um fadinho. Encontramos bastante gente já aproveitando o parque com seus amigos, cachorros e crianças.

Ficamos lá, curtindo nossas comidinhas, a boa música e a brisa. Quer dizer, brisa pra eles, né? Pra gente tava mais pra um vento gelado. E como não estou acostumada a carregar casaquinhos em dias de verão, acabou que o plano de esperar o sol se pôr mixou porque eu estava com frio!

Eu nunca gostei do verão. Tenho calafrio de pensar em dezembro no Rio de Janeiro. Também não gosto de praia. Essa história de passar horas suja de areia e sal, sem roupa, não me desce muito bem. Mas, olha, ficar deitada na grama, com uma roupa bonitinha,  debaixo da sombra e sem suar, eu bem gostei.