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Do tamanho do mundo

O mundo é tão grande. Nesse momento mais de 7.000 km me distanciam da minha família, que mora em Niterói. Isso hoje, porque há pouco tempo meu pai morava a 900 km da minha mãe e meu irmão passou uma temporada 400 km longe deles. (Astrid, querida, se quiser filmar um episódio de "Chegadas e Partidas" lá em casa, é só falar!) Aqui na Europa, segundo menor continente do planeta, tem uns 50 países e eu pretendo visitar mais ou menos metade deles. Fora os países que quero conhecer em outros continentes, dos quais estou mais perto, como África e Ásia. Tantas línguas, tantas culturas, tanta gente. Quando ando pelas ruas de Lisboa fico imaginando quantas pessoas já andaram por cima dessas pedrinhas. Portugal tem atualmente cerca de 10 milhões de habitantes. Menos habitantes que o estado do Rio, o terceiro mais populoso do Brasil. No mundo são mais de 7 bilhões, sendo que nasce mais de um bebê a cada segundo.

E no meio de tanta gente eu encontrei o amor da minha vida morando do lado da minha casa, em Angra. 14 anos depois de nos conhecermos, mudamos de hemisfério, o que foi feito em menos de 10 horas de vôo. Uma das coisas que trouxemos foi o cd da Laurinha, pra diminuir a distância, amenizar a saudade e entregar pra Luísa, uma amiga portuguesa que ela conheceu no Brasil. Conheci Luisinha, seu primo brasileiro, Mateus, que estava passeando por aqui, e sua namorada, Bia, que, assim, como eu, fez faculdade de Direito (o que não é coincidência, já que metade da população do Rio de Janeiro, segundo estatísticas minhas, fez) e depois fez EMERJ, por sinal, na mesma turma que minha amiga de faculdade Aline. E por falar em amigas de faculdade, amanhã vou almoçar com a Ana Paula, que, fiquei sabendo, por acaso, através do facebook, estudou Farmácia com Geisa, com quem estudei no cursinho e de quem fui vizinha. O facebook também me informa das andanças da Tati, com quem comi pastéis de Belém na semana passada e que conheci em Londres, através do Filipe. Ah, o Filipe é um amigo que fiz quando passei um mês no Sertão Nordestino e que atualmente é missionário no Líbano, onde vive com sua linda esposa, Cris, que, aliás, já frequentou a mesma igreja que eu em Niterói. Igreja cujas pregações (sobre o que existe além desse mundo que podemos dimensionar) eu assisto aqui mesmo, no computador. Como esse mundo é pequeno.

Dia 41 - Lar

Esses dias, numa maratona de leitura do Achados, o blog da Dri Setti, me deparei com um texto do crítico de arte Robert Hughes, sobre o qual penso quase todos os dias. A Dri mora em Barcelona há mais 10 anos e o Robert há uns 40. Segue o trecho que ela postou.

"Você tem sorte se descobre a tempo, na vida, uma cidade que não seja aquela onde nasceu e que se torna o seu verdadeiro lar. Certamente não penso em Sydney desta maneira. Ficaria triste se não visse mais sua baía azul, com muitas enseadas, mas sei (até onde se possa ver o futuro sob o prisma do desejo) que nunca morarei lá, que voltar para lá para sempre não seria nem uma aventura nem uma realização. Fica muito longe, pelo menos de mim. por que o patriotismo tem que lhe ser determinado quando você ainda é um feto? Reivindico o direito de escolher o que amar, e isto inclui as cidades. Você pode não querer repudiar as suas origens (certamente não quero), mas deve abraçar aquela que preferir. Quarenta anos atrás tive este maravilhoso golpe de sorte: Barcelona..."

Eu nasci em São Paulo, aos 2 anos fui levada pra Angra dos Reis e moro há quase uma década em Niterói. Em 2007 passei 3 meses em Harpenden e estou há alguns meses em Lisboa. Amo esses lugares, mas ainda não encontrei a minha cidade. Na verdade, não tenho certeza se vou encontrá-la. Não me parece que exista um único lugar onde eu queira passar o resto da minha vida. Mas existem vários lugares onde eu gostaria de viver fases dela. Não sinto que "sou" de alguma dessas cidades, mas de todas elas. E eu acho que isso também é uma benção.