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Feliz tudo novo

Me lembro que quando eu era criança e via aquelas notícias tipo "população comemora o ano novo chinês com muita festa" ou "o ano novo judaico começa hoje", eu ficava super encafifada pensando porque esses povos simplesmente não seguiam o calendário do resto do mundo. Esse calendário pronto, que já estava posto e organizado.

Faz um tempo eu percebi que encontrei essa resposta. Tem gente demais nesse planeta e estranho seria que tantas vidas fossem guiadas por um mesmo calendário. 

Meu ano novo começou mais ou menos no meio do ano de 2013 (do calendário gregoriano cristão ocidental utilizado pela maioria dos países). Foi quando eu mudei de casa, de país e de muitos antigos pensamentos e ideias. Isso aconteceu no mês do meu aniversário, data que considero muito mais marcante, para repensar, inventar e renovar meus votos comigo mesma, do que um trinta e um de dezembro qualquer.

Que você tenha um livre novo ano. Ano que pode começar quando você quiser ou puder, que pode ter menos ou mais de 365 dias, que seja só seu ou compartilhado com quem você queira. Te desejo mais sonhos, mais esperança e mais amor. Agora e sempre. 

Do tamanho do mundo

O mundo é tão grande. Nesse momento mais de 7.000 km me distanciam da minha família, que mora em Niterói. Isso hoje, porque há pouco tempo meu pai morava a 900 km da minha mãe e meu irmão passou uma temporada 400 km longe deles. (Astrid, querida, se quiser filmar um episódio de "Chegadas e Partidas" lá em casa, é só falar!) Aqui na Europa, segundo menor continente do planeta, tem uns 50 países e eu pretendo visitar mais ou menos metade deles. Fora os países que quero conhecer em outros continentes, dos quais estou mais perto, como África e Ásia. Tantas línguas, tantas culturas, tanta gente. Quando ando pelas ruas de Lisboa fico imaginando quantas pessoas já andaram por cima dessas pedrinhas. Portugal tem atualmente cerca de 10 milhões de habitantes. Menos habitantes que o estado do Rio, o terceiro mais populoso do Brasil. No mundo são mais de 7 bilhões, sendo que nasce mais de um bebê a cada segundo.

E no meio de tanta gente eu encontrei o amor da minha vida morando do lado da minha casa, em Angra. 14 anos depois de nos conhecermos, mudamos de hemisfério, o que foi feito em menos de 10 horas de vôo. Uma das coisas que trouxemos foi o cd da Laurinha, pra diminuir a distância, amenizar a saudade e entregar pra Luísa, uma amiga portuguesa que ela conheceu no Brasil. Conheci Luisinha, seu primo brasileiro, Mateus, que estava passeando por aqui, e sua namorada, Bia, que, assim, como eu, fez faculdade de Direito (o que não é coincidência, já que metade da população do Rio de Janeiro, segundo estatísticas minhas, fez) e depois fez EMERJ, por sinal, na mesma turma que minha amiga de faculdade Aline. E por falar em amigas de faculdade, amanhã vou almoçar com a Ana Paula, que, fiquei sabendo, por acaso, através do facebook, estudou Farmácia com Geisa, com quem estudei no cursinho e de quem fui vizinha. O facebook também me informa das andanças da Tati, com quem comi pastéis de Belém na semana passada e que conheci em Londres, através do Filipe. Ah, o Filipe é um amigo que fiz quando passei um mês no Sertão Nordestino e que atualmente é missionário no Líbano, onde vive com sua linda esposa, Cris, que, aliás, já frequentou a mesma igreja que eu em Niterói. Igreja cujas pregações (sobre o que existe além desse mundo que podemos dimensionar) eu assisto aqui mesmo, no computador. Como esse mundo é pequeno.

Por onde for

"As pessoas corajosas também sentem medo, não se engane. Mas ao contrário de quem procrastina, acomoda e não arrisca, elas seguem em frente com medo mesmo."

Li essas palavras em um blog um pouco antes de virmos pra cá e fiquei com elas rondando minha cabeça por alguns dias. A verdade é que mudanças trazem medo.

Mesmo quando a mudança é pra um país com condições melhores que as do nosso. Mesmo que se fale a mesma língua. Mesmo que vocês acredite que estará sempre em contato com as pessoas que você ama. Mesmo que elas venham te visitar. Mesmo que existam tantas pessoas amáveis nesse novo país. Mesmo que sua nova casa seja em uma cidade linda. Mesmo que a comida desse lugar seja deliciosa. Mesmo que você já conheça essa cidade quase tão bem quanto a que você morou nos últimos 10 anos. Eu tive medo.

Assim como o Leandro. Que além das mudanças que estou vivendo, ainda encarará tantas outras por conta do trabalho.

Mas há ainda outra verdade: quando enfrentamos o medo encontramos alegrias recompensadoras. Faz 10 dias que chegamos em Lisboa novamente e tem sido um tempo maravilhoso. Ainda com medinho, mas com o coração cheio de esperança.

Meu amor, obrigada pela sua coragem e pelo privilégio de estar do seu lado nesse momento. Com tantos sentimentos misturados, o mais profundo e real deles é a certeza de que por onde for, quero ser seu par.





Dia 58 - As malas

Eu já sabia que teria que abrir mão de algum dia passeando pela minha adorável Lisboa. Mas mesmo assim eu sofri. Por não poder aproveitar a cidade e pra conseguir colocar roupas, louças, azulejos, sabonetes e afins dentro das nossas poucas malas. Eu já sabia que não dava pra levar a maioria das coisas que queria. Os prédios são pesados e as escadinhas longas. E mesmo assim eu sofri.

Dia 51 - Sim, já tô com saudades

Esses dias a Mari bem observou que eu já estou procurando reviver certas situações por aqui. É verdade. Não sei quando poderei cá estar novamente. Tenho revisitado certos lugares e tentado aproveitar tudo nesses últimos dias. Últimos 9 dias, mais precisamente. Mas andar pelos corredores do supermercado com uma carinha tristonha e um sorrisinho nostálgico é um pouquinho demais, né? Acho que o caso é grave. O que que eu posso fazer se eu amo essa cidade?!

Quando voltei pro Brasil, em junho, e o povo me perguntava como tinha sido o tempo aqui, eu respondia: "Tô apaixonada!" E esse também era o sentimento do Leandro. Mas agora é diferente. Eu já conheço esse lugar e posso dizer que é amor. Do tipo que dura. Ao qual você se apega. Deixar esse lugar corta o meu coração. (Ih, acho que já tô podendo até ganhar a vida compondo fados)

É verdade que eu também amo Niterói, onde moro, e o Rio, onde passei mais tempo dos meus dias, por conta do trabalho e dos estudos. Acontece que, pra mim, o Rio é como aquele homem lindo, que tem predicados como o Pão de Açúcar e o Arpoador, mas mau-caráter, que te traz insegurança, confusão e vira-e-mexe te aborrece. Já Lisboa não. Não é dona de uma beleza natural como a do Rio (mesmo porque isso é quase impossível), mas é muito bonita aos meus olhos, verdadeira e com os seus defeitos eu bem consigo lidar.

Agora, tchau, que eu vou subir ladeira!

Dia 32 - As pontes entre nós

Eu e Leandro crescemos em Angra dos Reis, uma cidade no litoral do Rio de Janeiro, que fica pertinho de Parati. Essa região foi descoberta pelos portugueses em 1502, na segunda expedição deles pra cá. Só 2 aninhos depois da chegada em Porto Seguro. Essa região carrega, então, muito do estilo que a gente encontra nas nossas andanças por aqui.

O tempo todo a gente dá de cara não só com as referências do Rio de Janeiro, mas também com as lembranças da nossa infância. Um pouco de Angra, que teve sua arquitetura muito modificada ao longo do tempo, e muito do que ainda encontramos (e acredito que para sempre encontraremos) em Parati.

Meu pai tem paixão por portas e janelas e a gente não tem conta de quantas fotos ele tem de portas das casas, igrejas e prédios históricos dessas cidades. Imaginem como ele ficou louco por aqui! Quando meus pais estiveram em Portugal, eu dizia que eu e minha mãe caminhávamos sempre o dobro do que ele andava no dia, apesar de teoricamente andarmos juntos. Isso porque nós duas estávamos andando e conversando quando percebíamos que tínhamos perdido o meu pai. E voltávamos procurando ele, que estava sempre com a máquina na mão, obcecado por alguma porta.

Outra coisa que a gente sempre repara é em como as ruas são estreitas e as calçadas ridículas, principalmente nas áreas e cidades mais antigas. Em alguns lugares nem há calçada, apenas uma marca no chão que delimita o espaço do pedestre e o do carro. E temos que andar em fila indiana.

E, claro, as pedras portuguesas, que tanto nos perseguem e acabam com nossos sapatos no centro do Rio. 1001 tipos de desenhos delas. Só que aqui tem um detalhe muito importante: elas são bem colocadas. Seus saltos não ficam presos nelas e não formam poças. Vivo andando e sorrindo quando chove e eu fico lembrando de mim na Praça XV fazendo uma espécie de "singing in the rain" patético. Segundo o Lipe, meu irmão (quase) engenheiro, o que acontece é que no Brasil as pedras foram colocadas sobre uma camada de cimento e aqui diretamente sobre a terra. Às vezes eu acho que o povo aqui devia fazer umas piadas sobre a gente.


Eu já ouvi muito brasileiro falando que veio pra cá e se sentiu em casa. É fácil. Há muitas coisas que nos ligam. E eu adoro encontrar com elas por aí todos os dias.

Dia 31 - Ou menos 31

De repente fez 1 mês que a gente tá aqui. E a única coisa que a gente consegue pensar é que em menos de 30 dias a gente vai embora. A gente fala sobre isso quase todo dia. A contagem regressiva é baseada no número de fins de semana que temos até 26 de setembro. E são 4.

E tem tanta coisa que a gente ainda queria fazer. Queremos conhecer o Algarve, participar de uma vindima, voltar ao norte do país, visitar Damares, Paulo, Filipe e Cris na Inglaterra, encontrar com Paulo e Lara em Paris, matar as saudades da Dê na Suécia, ver a Helô na Dinamarca...

Além das coisas que a gente quer continuar a viver, como fazer o percurso casa-trabalho em 15 minutos, pegar o metrô e chegar onde quiser, fazer compras em mercados baratos e cheios de coisas gostosas, voltar seguros pra casa, andar por pedras portuguesas sem tropeçar.

Em meio a esses pensamentos, minha TPM me empurrou pra um momento de tristeza do qual só chocolate do bom poderia me salvar!

Leandro chegou, então, com chocolate belga e beijinhos pra cuidar de mim.

Comecei a pensar que em menos de 1 mês a gente vai conhecer o Simão, eu vou ter o colinho da minha mãe, a comida do meu pai, o carinho das nossas famílias, os risos e abraços dos nossos amigos e doce de leite com queijo minas! Agradeci  a Deus por todos os dias aqui e por todos que virão depois.

Dia 23 - O amor

Eu tinha pouco mais de 14 anos quando eu conheci o Leandro. E bem no início da nossa amizade eu já pude perceber que eu gostaria de tê-lo na minha vida sempre. A gente se via quase todo dia e gostávamos muito disso. Apesar da gente ser tão diferente um do outro. Muito tempo passou e muita coisa aconteceu. Fomos vizinhos, moramos a muitos km de distância, ficamos sem nos ver meses e hoje dividimos a mesma casa. A gente mudou muito, mas uma coisa continua igual: somos muito diferentes. E a verdade é que eu gosto muito disso. Nele eu tenho o que falta em mim. E é assim que o nosso amor tem crescido. E a gente também. 

Lê, que o seu amor voe, voe e volte pra mim, todos os dias, como faz desde que a gente se conheceu. Em Niterói, em Lisboa ou em qualquer lugar do mundo, se eu tiver você, eu vou estar no meu lugar favorito: o seu abraço.

Declarações à parte, fomos comemorar nosso aniversário de namoro no restaurante que eu mais gostei de conhecer aqui: o Sacramento (Calçada do Sacramento, 40). Tínhamos estado lá uma vez, através de uma história muito louca. O local do restaurante, que já foi um Palácio, é lindo e super bem decorado. Quando chegamos eu já pedi o drink que tinha experimentado da outra vez, feito com vinho do Porto e hortelã. Um dos melhores que já tomei na vida. No prato, eu também repeti: filé de atum grelhado com pérolas (!) de legumes. É divino! Não sei porque a gente não tem o costume de comer atum desse jeito! Leandro foi de arroz de polvo, que estava bem gostoso, mas não era exatamente o que ele queria. Ele tava imaginando uma espécie de um risoto, mas esses pratos à base de arroz, por aqui são sempre cheios de caldo, meio sopinha. De sobremesa, comemos um brownie espetacular. Voltamos pra casa empanturrados! E felizes da vida, passeando de mãos dadas, como temos feito há 12 anos.

Dia 04 - O português de Portugal

Estando em Portugal, ouvindo a minha língua materna e lembrando o tempo todo das aulas de história na escola, é impossível não passar boa parte do meu tempo observando e comparando. Cultura, música, jeito de se relacionar, futebol, expressões, moda. Em tudo isso encontramos muitas semelhanças e diferenças entre brasileiros e portugueses.

Quando saímos boa parte do nosso papo é feito desse assunto: o quanto somos diferentes e iguais. E a língua é sem dúvida um dos pontos que mais nos chama atenção.

O fato de falarmos a mesma língua me faz até esquecer, às vezes (raramente, tá), que não estamos no Brasil. Como se a forma como eles falam fosse apenas mais um sotaque de alguma região do nosso país.

Geralmente gosto de ouvir. Sou apaixonada por sotaques e acho engraçadinho o jeito que eles falam. Exceto quando eles estão irritados ou reclamando e a voz deles vira uma ladainha sem fim. Muitas vezes não entendo uma palavra do que eles falam e disso eu também não gosto. Estamos desde abril tentando decifrar o que a mocinha do metrô fala.

E a gente se diverte com várias palavras e expressões que eles usam e a gente não. Ontem eu ouvi na TV "nado mariposa" ao invés de borboleta. Uma bobeira e a gente morre de rir!

Fico encucada com algumas coisas que são completamente erradas pra gente, ensinados desde crianças sobre elas e que eles usam normalmente, como se fosse certo. Exemplo: mais pequeno. Ninguém fala menor aqui. Se você fala, eles demoram 30 segundos pra entender. Não é engraçado? Desde pequeninho vc escutava: "não é mais pequeno, filho. é menor."

E o que eu acho mais engraçado é que eu penso que eles são os donos dessa língua. Nós a aprendemos através deles. E como é que nós, brasileiros, podemos dizer que uma coisa está errada se eles não acham que está? ...

Tem também algumas palavrinhas que eles adoram usar e que a gente não consegue entender onde encaixar e sempre fala na hora errada, como o "pois" e o "pá". O mesmo acontece quando eles tentam falar nossas gírias, o que também é mega divertido!

Agora vou continuar acompanhando os Jogos Olímpicos na televisão portuguesa e rir mais um pouquinho dos comentaristas. Desculpa, queridos, but I can't help it!

P.S.: Fiz desse blog um diário por um único motivo: sou indisciplinada. Mas meus dias não são sempre interessantes. Como o Lê trabalha, eu fico muito sozinha e muitas vezes não quero sair pra ir a museus ou conhecer um novo lugar by myself. Reflexões virão quando meus dias forem puro tédio, ok?

Dia 03 - Santini e Olimpíadas

Desde criança eu sempre adorei acompanhar as Olímpiadas. Gostava de assistir à ginástica olímpica e rítmica, natação, vôlei e mais um monte de esportes que não conhecia antes, junto com a família que também curtia. Mas era mais que isso, né. Essa coisa de estar em sintonia com milhares de pessoas, com o mesmo sentimento, em torcida por aqueles que representam nosso país é uma sensação muito gostosa e vamos combinar que, em se tratando do meu país, não é algo muito comum.

O Brasil é lindo, tem várias características das quais me orgulho e agradeço a Deus pela cultura que carrego. Mas todos nós, brasileiros, sabemos bem dos defeitos que temos e é mais comum nos unirmos em crísticas ao nosso país que em elogios, num é.

E o interessante é que, por mais que critiquemos e desgostemos de um monte de coisas, alguns eventos e situações nos unem e acho que é por isso que eu gosto muito de eventos esportivos mundiais.

Passei boa parte do dia assistindo TV e quando Lê chegou fomos tomar sorvete na Santini, uma sorveteria maravilhosa que fica na Rua do Carmo, no Chiado. Não só o sorvete de lá é maravilhoso como também a casquinha (chamada de cone por aqui) mágica deles, que nunca amolece!

Voltamos andando pra casa, numa caminhada gostosa, em uma noite agradável de verão europeu, quase sentindo um friozinho e alegres por termos mais uma oportunidade de desfrutar desse lugar pelo qual nos apaixonamos.

Adoro o fato de já conhecer as principais ruas, praças e becos, para então podemos desbravar a cidade pelas ruelas que ainda não conhecemos. Fizemos um caminho novo até em casa e se encontramos 3 pessoas por ele foi muito. E o melhor é que a sensação de segurança não nos abandonou nesse tempo.

Chegamos em casa e assistimos o Brasil vencer a Rússia no vôlei masculino por 3x0 e fomos dormir felizes por estarmos em Portugal e por sermos brasileiros :)

Dia 02 - Insônia e delírio


Chegamos no domingo e eu resisti até às 19hs, quando acabei dormindo. Acordei às 2hs da manhã e adivinhem: não consegui mais dormir! E eu tentei, viu!

Me rendi, então, à insônia, jet leg, ou sei lá o pq disso ter acontecido, já que eu sou o tipo de pessoa que não tem dificuldade alguma em dormir mais de 12hs num dia. Quando mais em um dia em que não dormi na noite anterior.


Peguei meu livrinho querido do momento, presente da minha querida amiga Mari, e fui ler.


Eu adoro ler diversos tipos de livros, sobre assuntos diferentes e com abordagens diferentes. Mas é claro tenho algumas preferências. Quando um livro trata de histórias de amor impossíveis e é uma saga, já me ganha!

A trama de Delírio envolve uma sociedade em que o amor é tratado como doença. Só de pensar já tenho vontade de chorar. Imagina quando passo a conhecer 2 pessoas que vivem nessa sociedade e se amam! Sim, eu me envolvo com personagens como se fosse amiga deles.

Dormi de novo às 6 da manhã e depois que voltei do almoço com Leandro, agarrei no livro e só parei quando acabou. É muito difícil pra mim quando um livro que gosto muito acaba e é por isso que eu amo as sagas. Tem mais!

O segundo livro chama Pandemonium e eu preciso comprá-lo o mais rápido possível.

Dia 01 - Tudo novo de novo

Eu e Leandro chegamos ontem em Lisboa. Essa é a segunda temporada que passaremos na cidade esse ano. Chegamos aqui pela primeira vez no dia 1 de abril para passar 3 meses e agora ficaremos por mais 2 meses.

Me sinto menos empolgada, mas mais tranquila dessa vez. É muito confortável saber exatamente onde ficarei hospedada, quanto tempo leva até lá, quanto custa o taxi, onde podemos comprar comida e como será a imigração. Quer dizer, achar que sabe...

Assim que pisamos no aeroporto eu fui tranquila e serelepe pra fila da imigração. Da outra vez nossa "entrevista" não demorou mais que 2 minutos, pois foi feita apenas uma pergunta: quanto tempo ficarão? Respondemos, nossos passaportes foram carimbados e ouvimos um bom dia, em seguida.

Dessa vez, a primeira pergunta foi a mesma, mas seguida de outra: e o que vocês fazem da vida para virem passar 2 meses de férias em Portugal? Dei uma risadinha, que expunha justamente o contrário do ódio que eu já começava a sentir, e expliquei a situação. Ele começou a falar um monte, que o visto estava errado e quando tentávamos explicar, ele nos interrompia, utilizando diversas vezes a expressão "não interessa". Essa frase não é algo tão ofensivo aqui em Portugal quanto no Brasil, como já pude perceber quanto estivemos aqui antes. Mas acontece que eu sou brasileira, e vou encarar a tal expressão da mesma forma em qualquer lugar do mundo! O ódio só aumentava quando ele falou que "meu caso era pior" e me explicou tudo que eu já sabia, e que não me impedia de entrar no país.

No fim, ele simplesmente carimbou os 2 passaportes e nos desejou bom dia. Eu agradeci por todas as explicações enquanto, na verdade, eu queria socá-lo! A "otoridade" só queria demonstrar seu poder!

Viemos pra casa. Estamos hospedados no mesmo apartamento em que estivemos no semestre passado e eu realmente já me sinto em casa!

Pra começar


Há um tempinho, logo depois que tomei coragem pra abandonar a profissão que me fazia infeliz, estava entrevistando um menino português, de Lisboa, fofo de tudo, quando perguntamos pra ele: "O que você gosta de fazer? Tem algum hobby?", e ele respondeu: "Eu gosto imenso de..."

Não escutei mais nada, nem lembro do que ele gostava. Abri um sorriso (que fez com que ele tivesse certeza que tinha sido aprovado no processo seletivo) e nunca mais esqueci essa expressão.

Alguns meses depois, cá estou eu em terras lusas cheia de reflexões, informações e idéias sobre coisas de que gosto imenso. E eu preciso compartilhar. Nem que seja com o computador.

Então...