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Dia 15 - Dia dos Pais, Parque das Nações e fim dos Jogos

Mais uma vez resolvemos ficar em casa por conta das Olimpíadas. Não consigo resistir. Eu adoro esse evento! E eu tinha certeza que o Brasil ia ganhar. Ledo engano. Mais uma vez. Que dó daqueles meninos!


Depois de falarmos com meu paizinho no dia dele (me desculpem os outros pais, mas não há dúvida de que o meu é o melhor de todos!), fomos passear pelo Parque das Nações.


Em 1990 esse lugar era uma zona industrial de Lisboa. Foi completamente modificado para receber a Expo 98 através de um projeto de reurbanização, trazendo uma arquitetura contemporânea à cidade, o que faz parecer que esse lugar nem é Lisboa. Mas aí você olha o Tejo e lembra rapidinho. É lindo, mas não é dos meus lugares preferidos. É perfeitinho demais. Novinho demais pro meu gosto.





O parque conta com um pavilhão giga para exposições e uma praça enorme cheia de bandeiras de todos países. Ali também fica a Gare do Oriente, que é a estação de trem principal da cidade. Ao longo do rio encontramos diversos banquinhos e restaurantes também. Ah, tem uma outra coisa que acompanha o Tejo: um teleférico que, tenho que dizer, é ridículo! Ele liga um ponto a outro do mesmo lado do rio. Você fica lá dentro vendo a mesma paisagem o tempo todo. Não entendo muito bem. Depois eles reclamam que a gente faz piada com eles.


Um dos lugares mais interessantes dessa área é o Oceanário: uma aquário gigante com várias espécies de peixes, tubarões, raias e tartarugas. O máximo! E é uma delícia ver a alegria das crianças quando dão de cara com aquele lugar mágico.

No domingo resolvemos alugar bicicletas pra podermos explorar mais a região, que é bem grande. Geralmente não gosto de andar de bicicleta. Tenho a impressão de que um trambolho daqueles pode acabar me atrapalhando em algum momento. E acho que fica mais fácil se perder também (estranha, né?). Mas como nesse lugar é impossível se perder e a gente já conhece bem também, aceitei o pedido que Leandro fazia há tempos.

E foi ótimo! O dia tava lindo, como tem acontecido sempre, e ficamos lá até o pôr do sol.


Na volta, paramos em uma estação de metrô da qual eu sempre quero tirar fotos, mas temos preguiça de descer. Valeu a pena! A estação é ainda mais bonita do que dava pra ver da janelinha do comboio.

Chegando em casa, falamos com o pai do Lê e assistimos o encerramento da Olimpíadas. Cantei com as Spice e me emocionei com a Marisa. Quero tanto que tudo dê certo em 2016...


Dia 14 - Eric Kayser Boulanger, ouro das meninas e peixe grelhado

Agora que a gente já sabia onde era, saímos ao meio-dia pra tomar café na tal padaria francesa Eric Kayser (Rua Professor Carlos Alberto Mota Pinto, Edifício Amoreiras Plaza). E mesmo sendo tarde, eles ainda serviam o pequeno-almoço!

Pedi um brunch que vinha com baguete, ovo mexido, chá, suco e pão de chocolate e o Lê foi de croque monsieur. Tava tudo bem gostosinho, mas o melhor foi matar um pouquinho as saudades de Paris. Trouxemos pra casa uma eclair, um brownie e pãezinhos de azeitona, que estavam ainda melhores que as coisas que comemos na pastelaria.

Voltamos pra casa pra assistir o jogo de futebol masculino e o vôlei feminino, que disputavam medalhas de ouro. Tínhamos até planejado um passeio em outra cidade, mas decidimos ficar pra torcer.

Neymar e cia perderam. Pausa pra o desabafo: eu geralmente não fico com raiva quando o Brasil perde. Fico triste e com muita pena do pessoal que treina, treina e na hora H não alcança seu objetivo, seja porque outros foram melhores, ou porque se machucaram ou ficaram nervosos. A maioria dos atletas passa 4 anos se sacrificando no escuro, sem a gente nem saber o nome deles e não acho que a gente pode cobrar nada dessas pessoas. Mas com o futebol não é assim. Eu fico indignada desse povo que ganha milhões, que quer mesmo é ficar famoso e fazer propaganda. Uma medalha de ouro não tem valor nenhum pra maioria desses jogadores. Aff!

Quando as meninas perderam o primeiro set contra os EUA no vôlei, eu já estava completamente arrependida de termos mudado nossos planos. Mas elas me surpreenderam. A mim e a muitos brasileiros. Ganharam! E ganharam dos States, o que é mais gostoso (rs).

À noite, animadíssimos com a nossa medalha, fomos jantar em um restaurante que a Ju, que esteve aqui há pouco tempo, nos recomendou pra comermos sardinhas, uma das especialidades da cozinha portuguesa. Eu tô até fazendo uma pesquisa pra eleger pra mim mesma a melhor sardinha à portuguesa do país, de tantas que eu já comi.

Chegamos no Pateo 13 (Calçadinha de Santo Estevão, 13, Alfama) e esperamos por uma mesa. As mesas são distribuídas entre grandes e pequenas na calçada embaixo da árvore que fica em frente do que seria o restaurante propriamente dito. As pessoas passam pelo meio do "salão" indo pra suas casas. Pra quem é carioca dá uma sensação de "eu já vi disso em algum lugar". Enquanto aguardávamos, conversamos sobre o quanto Lisboa parece com o Rio, o quanto várias situações nos são tão familiares.

Sentamos ao lado de um casal e estávamos tão perto uns dos outros, que parecia que sentávamos na mesma mesa. Sabíamos que tudo que falássemos seria ouvido por eles e vice-versa. Às vezes falar português em Portugal não é tão legal assim.

Pedi minhas sardinhas com batatas e Lê foi de peixe espada, porque ele "não come iscas". Enquanto conversávamos, em algum momento, o cara da mesa do lado perguntou: "vcs são brasileiros?" e o que tava achando ruim se tornou a segunda melhor coisa da noite, depois do peixe.

Conversamos um monte sobre as nossas vidas, realidades e rotinas. Ele, português, trabalha com hotéis e vinhos e vive indo ao Brasil fazer negócios. Ela, francesa, mora em Milão e fala português, que aprendeu com brasileiros na Itália (ela entendia muito mais o que a gente falava do que o que o português dizia). Fofos de tudo!

Ele falou do quanto ficou maravilhado na primeira vez em que esteve no Rio e nós falamos do quanto estamos gostando de Lisboa. Eles também perguntaram muito sobre a violência do Brasil, se é verdade o que falam, se já nos aconteceu alguma coisa. E como é difícil falar sobre isso com quem não é carioca.

Os peixes estavam deliciosos (foi a melhor sardinha que comi até agora!) e a conversa mega agradável. Só fomos embora porque literalmente tiraram as nossas mesas da nossa frente. Não tô brincando! Adorei ter conhecido Ilana e Bernardo, cujos nomes só descobrimos no final. Não sei se eles eram tão legais assim ou se eu tô carente de conversar com pessoas e fazer amigos, mas me arrependi muito de não ter trocado contato com eles.

Voltamos pra casa super felizes com o nosso dia!

Dia 12 - Medalha de prata


Quase todo dia eu falo com a minha amiga, Mari, que mora longe de mim há muitos anos e mais longe ainda nos últimos 2.


A gente conversa sobre tudo. Sobre a nossa infância e adolescência, sobre o trabalho dela, seu namoro, nossas famílias, amigos, a vida em Nova York e a vida em Lisboa.

Ela fala que apesar da dificuldade em estar longe das pessoas que ela ama, pelo novo amor e toda a estrutura que ela encontra por lá, a Mari tem planos de construir seu futuro em NY mesmo. Muitas vezes ela pensa em desistir, mas ainda acha que vale a pena continuar por lá.

A gente fala da nossa vontade de viver mais um tempo em Lisboa e de como nos sentimos privilegiados em podermos voltar pra casa a uma da manhã de metrô, sem achar que qualquer pessoa que cruze o nosso caminho possa nos causar algum tipo de mal.

Mas no final do dia, os nossos corações batem forte  e acelerados por um motivo em comum: duas pessoas disputando, através de um jogo, com todas as suas forças, uma medalha de ouro pro nosso país. E dá uma tristeza porque a medalha conquistada foi de prata.

Dia 03 - Santini e Olimpíadas

Desde criança eu sempre adorei acompanhar as Olímpiadas. Gostava de assistir à ginástica olímpica e rítmica, natação, vôlei e mais um monte de esportes que não conhecia antes, junto com a família que também curtia. Mas era mais que isso, né. Essa coisa de estar em sintonia com milhares de pessoas, com o mesmo sentimento, em torcida por aqueles que representam nosso país é uma sensação muito gostosa e vamos combinar que, em se tratando do meu país, não é algo muito comum.

O Brasil é lindo, tem várias características das quais me orgulho e agradeço a Deus pela cultura que carrego. Mas todos nós, brasileiros, sabemos bem dos defeitos que temos e é mais comum nos unirmos em crísticas ao nosso país que em elogios, num é.

E o interessante é que, por mais que critiquemos e desgostemos de um monte de coisas, alguns eventos e situações nos unem e acho que é por isso que eu gosto muito de eventos esportivos mundiais.

Passei boa parte do dia assistindo TV e quando Lê chegou fomos tomar sorvete na Santini, uma sorveteria maravilhosa que fica na Rua do Carmo, no Chiado. Não só o sorvete de lá é maravilhoso como também a casquinha (chamada de cone por aqui) mágica deles, que nunca amolece!

Voltamos andando pra casa, numa caminhada gostosa, em uma noite agradável de verão europeu, quase sentindo um friozinho e alegres por termos mais uma oportunidade de desfrutar desse lugar pelo qual nos apaixonamos.

Adoro o fato de já conhecer as principais ruas, praças e becos, para então podemos desbravar a cidade pelas ruelas que ainda não conhecemos. Fizemos um caminho novo até em casa e se encontramos 3 pessoas por ele foi muito. E o melhor é que a sensação de segurança não nos abandonou nesse tempo.

Chegamos em casa e assistimos o Brasil vencer a Rússia no vôlei masculino por 3x0 e fomos dormir felizes por estarmos em Portugal e por sermos brasileiros :)