Toscana è amore!

A Toscana é um dos destinos mais procurados por pessoas que vivem um romance e foi um dos lugares pelos quais quisemos passar para comemorar nosso quinto aniversário de casamento. Sim, já são 5! Mas com carinha de 2! Eis alguns dos fatores que mais nos encantaram por lá.


{A estrada} Montanhas, tons de verde, caminhos sinuosos, árvores agrupadas lindamente, vinhedos, resquícios da Idade Média. O caminho que se percorre é mais um dos fatores a serem apreciados quando se passeia pela Toscana. Viajar de carro por essa região é uma boa, pois te permite acompanhar a paisagem e parar quando quiser. Pra compor sua trilha sonora, sugiro essa canção

{A Torre de Pisa}  Aí vc vai pensar: "Ah, mas eu não aguento mais a Torre de Pisa! É tanta foto, tanta gente falando sobre, que já até enjoei sem nunca ter estado lá! Chega de ouvir falar sobre ela!" Eu concordo. Mas como eu não vou ouvir, mas sim falar (ou escrever), lá vai! Esse lugar é simplesmente sensacional! Você não precisa fazer a foto que todo mundo faz, se vc acha ridículo. Basta sentar no Campo dei Miracoli e apreciar o milagre que é olhar pra torre e vê-la em pé. Um beijo pra equipe de engenharia que fez a burrada de construir uma torre tão pesada num solo inapropriado, mas que, assim, colocou essa cidade no mapa. E outro pro pessoal que deu um jeito de manter a torre existente e torta, tornando-a um quase arco. Nenhuma foto capta a imponência, beleza e torteza dessa construção. A sensação de que vai cair a qualquer momento não passa. E no final, vc já vai estar lá, fazendo pose pra tirar a foto que todo mundo tira! Ou pelo menos a foto da foto que todo mundo tira.

{A muralha de Lucca}  Já tinha lido em alguns lugares que deveríamos alugar bicicletas e dar uma volta pela muralha da cidade. Estamos acostumados com a muralhas aqui em Portugal que são altas e bem estreitas e achei a sugestão aí de cima bem radical. Até a gente dar de cara com a muralha de Lucca e entendermos a dica. Muito largos, os muros se tornaram uma espécie de parque onde as pessoas passeiam com o cachorro, com as crianças, caminham, correm e pedalam. Foi uma delícia sentir o ventinho no rosto ao rodarmos aqueles 4 quilômetros avistando a cidade de cima.


{O melhor sorvete do mundo}  No meio de becos medievais de uma cidade que parece uma fortaleza, procure as filas e você vai encontrar os melhores gelatos do mundo. Em San Gimignano, mais precisamente na Piazza della Cisterna, fica a Gelateria Dondoli, que ganhou o prêmio de melhor sorvete do mundo durante alguns anos. Só a avistamos depois que já tínhamos entrado na fila da Gelateria dell'Olmo, que tem uma placa enorme onde se lê "the best ice cream in the world". Li por aí que é só marketing e nenhum prêmio,  mas o cone com fondente di cioccolato, fior de latte e nocciola que degustamos foi, sem dúvida, o melhor sorvete que já tomamos na vida. E olha que só nessa viagem eram uns 2 por dia! Só nos arrependemos de não termos voltado pra comprar outro.

{Uma catedral listrada}  E no meio do cenário escuro e medieval de Siena desponta o Duomo di Siena, em mármore predominantemente preto e branco, o que nos permite cair de amores por uma igreja estampada. Por dentro, colunas e paredes também listradas, além de outras belezuras dispostas naquele espaço monumental, como o chão decorado e esculturas. De boca aberta, passamos um bom tempo olhando pra fachada daquela igreja e acompanhando o movimento das nuvens refletidas no vitral redondo. Um santuário enorme, mas ainda minúsculo se comparado ao que ele tenta conter.


{Os cantinhos aconchegantes}  Escolher hotel pela internet, sem indicação, é sempre um risco. Nesses dias fomos agraciados com 2 boas surpresas: a Casa Soleluna, em Cortona e o B&B Il Callare, em Lucca. Os dois fora das cidades (o que é ótimo pra quem está de carro e precisa de lugar pra estacionar perto de onde vai dormir), novos e com ambientes super agradáveis, assim como os donos.

P.S: Como tem muita coisa por esse mundo internético sobre os lugares que visitamos, preferi falar de uma forma diferente sobre a nossa experiência. Mas se algum de vcs quiser um roteiro mais específico ou ajuda com algum detalhe sobre os lugares por onde passamos, pode me mandar um e-mail: anacarolalves@gmail.com.

As cinco terras

A melhor coisa de morar em Lisboa é justamente morar em Lisboa. A segunda melhor é que morar em Lisboa significa morar na Europa. Um continente que mais parece um país pra quem cresceu num país que mais parece um continente.

Todas essas palavras repetidas pra dizer que a facilidade em nos movermos por aqui tem nos levado a viver experiências sensacionais. A última delas repartida em 8 dias (e 3 posts) rodando pela Itália.

Nosso primeiro destino foi Cinque Terre. Essa região é um sonho antigo em nossas vidas. Planejávamos ir pra lá na nossa viagem de lua-de-mel, há 5 anos, mas não aconteceu. E desde então aquelas casinhas coloridas amontoadas nas montanhas viviam nos meus planos.

Nosso destino, a princípio, seria a Toscana, mas como nosso vôo chegava em Milão, achamos que o melhor caminho pra descer a botinha seria desviarmos suavemente até o litoral da Ligúria. Depois de muitos dias de ansiedade durante o planejamento desse roteiro, uma tristeza recai sobre mim. A previsão era de chuva. Pra todos os dias. E não mudava. Mas eu tinha esperança.

Chegamos na praia Deiva Marina, nossa base para conhecermos as terrinhas. Meu conselho é que façam suas reservas de hotel com bastante antecedência e, caso não fiquem em alguma das 5 cidades se hospedem em alguma cidade entre La Spezia e Levanto. Isso vai te fazer economizar tempo e dinheiro.

Acordamos em Deiva Marina e chovia. Chorei pra combinar. Eu tenho uma coisa pra te dizer: se você for pra Cinque terre e chover, se joga do alto do seu hotel e esquece. Ou respira e deixa pra se jogar de um penhasco no final do passeio. Essas foram as opções que eu considerei e acabei ficando com a segunda, já que tinha gasto muito tempo lendo sobre esse lugar. 



As coisas não melhoraram no início da nossa andança por Riomaggiore, a primeira das cidadelas, contando a partir de La Spezia. Leandro, cujo sobrenome deveria ser paciência, fez de tudo pra me animar. Mas tava complicado com a visão perturbada pelo guarda-chuva e vestindo uma saco de lixo capa azul. Paramos num lugarzinho chamado Siamo Fritti e um cone cheio de lula frita com limão já começou a melhorar meu humor. Quando estávamos totalmente equipados, claro, a chuva parou. E só precisei de 5 minutos pra cair de amores e perceber que chuva nenhuma ia me impedir de amar aquele dia. Aquele lugar é tudo que falam dele e mais um pouco!













             
A ideia era seguir pra próxima cidade a pé, através de uma trilha à beira do mar chamada Via del'amore (óun!), mas a trilha estava fechada. Nem lá, nem no google, consegui informações precisas sobre o motivo, mas parece que a maioria das trilhas de Cinque Terre estão fechadas desde 2012 por conta das fortes tempestades que ocorreram por lá naquele ano.  Usamos a linha de trem, então, pra fazer todos os percursos intercidades. Entre túneis e vistas pro mar, apreciamos os curtos trajetos.

O primeiro deles durou 3 minutos até chegarmos na lindinha Manarola. Encontro semelhanças com os bequinhos e as cores de Lisboa. E também com as favelas cariocas, já que tanto naquela vila quanto no Rio as casas parecem desafiar as leis da física. Quem sabe um dia as favelas virem um seguro lugar turístico em que seus moradores vivam felizes, como acontece por ali.

A cidade seguinte, Corniglia, é mais uma lindeza colorida cheia de casinhas incrustadas em pedras e plantações de uva subindo o morro. Amei as ruazinhas fechadas dessa cidade do meio. E aquele mar sem fim. Parece mentira, mas não é.

A próxima (e nossa última) foi Vernazza e lá ainda recebemos a benção de aproveitar o solzinho que surgiu no fim da tarde. Além de ter saboreado brusquetas de anchova e uma caprese divinas. Ou eu tava com muita fome.

Tava tão gostoso por lá que quisemos curtir um pouco mais o lugar, abrindo mão de conhecermos a última das cinque, Monterosso.

Ali, em Vernazza, eu descobri que Deus levou a gente pra Cinque Terre num dia de chuva só pra nos mostrar quão lindo é esse lugar em qualquer circunstância. Mesmo quando a gente não via, a Luz tava lá.



O que fizemos no verão passado

É difícil pra mim admitir, mas eu tenho que confessar: estou com saudades do verão. Do verão europeu, que fique claro! Esse inverno tem sido o mais chuvoso dos últimos 80 anos. 80 anos! E a gente aqui. Não tem como não ficar pensando naqueles dias azuis, no vento, nos sorrisos nas caras de todo mundo, nas saias e vestidos sem manga, na quantidade de gente que vem aproveitar isso tudo num dos melhores destinos europeus de verão. Pra lembrar com saudade e dar uma refrescada no povo aí do Hell Rio de Janeiro, alguns dos nossos passeios do verão passado:

{Passeio de moto até a Costa da Caparica} Leandro queria alugar uma moto. Eu tenho medinho de veículos com duas rodas que andam em alta velocidade, mas acreditei que poderia ser uma experiência legal. De qualquer forma, fiz cara de gatinho e pedi uma motinha vintage. Atravessamos o Tejo de ferry, conhecemos Almada e fomos rodar pela Costa da Caparica. Fotografamos praias lindas e em seguida fomos pra Lagoa de Albufeira. Que lugar sensacional! O mar faz sua entrada em uma faixa de areia formando uma lagoa, laguinhos e ilhotas. O vento estava fortíssimo e não dava nem pra contar o números de kytesurfistas que vimos por lá. No rasinhi da lagoa, crianças brincando na água cristalina. Do outro lado, o mar com ondas enormes. 


{Berlengas} Desde o ano passado já pretendíamos conhecer essas ilhas que ficam perto da costa de Peniche, de onde pegamos o barco para chegarmos até o arquipélago. Digamos que a viagem de ida foi um tanto quanto emocionante. Eu cresci fazendo passeios de barco e realmente esse tipo de coisa não costuma me assustar. Nessa viagem, quando o barco parecia que iria finalmente virar, eu só pensava quanto tempo eu ia aguentar naquela água geladíssima! Chegamos sãos e salvos e muito tristes porque os metereologistas não têm bolas de cristal eficientes. A água em volta das ilhas é de um verde lindo e a gente só conseguia pensar em como tudo aquilo deve ficar maravilhoso em dias de sol. De qualquer forma, aproveitamos o tempo ali pra caminhar pela ilha e passear de bote, pra ver as grutas de perto. A viagem de volta no barco, obedecendo o sentido das ondas e do vento, foi beeeem melhor que a de ida e já deu pra pensar em planejar nossa próxima visita às ilhas.


{Lagoa de Albufeira} Voltamos na lagoa citada aí em cima um outro dia e a paisagem era completamente outra, e mesmo não sendo tão bonita quanto a que vimos no mês anterior, tal visão me fez gostar ainda mais desse lugar. Depois de um tempinho nos acostumamos com a água gelada e nos divertimos muito observando as mudanças do sentido da água e as marcas deixadas por ela na areia no final do dia.

{Cascais} Fica aqui do lado e é o principal destino de praia dos lisboetas. Uma cidade muito gostosa de passear, projetada pra que o mar seja admirado e aproveitado. Além da paisagem natural, também dispõe de uma beleza arquitetônica diferente da que encontramos em Lisboa e de bons restaurantes.

{Canoagem no Tejo} Alguns dos colegas de trabalho do Leandro programaram esse passeio e nós nos convidamos pra participar dele. Andaríamos de caiaque pelo rio na altura da região de Ribatejo, passando por uma ilha onde são criados cavalos. O dia estava quente e, apesar do lugar não ser tão bonito, foi uma experiência deliciosa "navegar no Tejo". Logo depois almoçamos sopa da pedra, que é uma sopa típica daqui, e secretos de porco preto, com os quais sonhamos até hoje. No outro dia não sentia meus braços e mesmo assim sorria.



Feliz tudo novo

Me lembro que quando eu era criança e via aquelas notícias tipo "população comemora o ano novo chinês com muita festa" ou "o ano novo judaico começa hoje", eu ficava super encafifada pensando porque esses povos simplesmente não seguiam o calendário do resto do mundo. Esse calendário pronto, que já estava posto e organizado.

Faz um tempo eu percebi que encontrei essa resposta. Tem gente demais nesse planeta e estranho seria que tantas vidas fossem guiadas por um mesmo calendário. 

Meu ano novo começou mais ou menos no meio do ano de 2013 (do calendário gregoriano cristão ocidental utilizado pela maioria dos países). Foi quando eu mudei de casa, de país e de muitos antigos pensamentos e ideias. Isso aconteceu no mês do meu aniversário, data que considero muito mais marcante, para repensar, inventar e renovar meus votos comigo mesma, do que um trinta e um de dezembro qualquer.

Que você tenha um livre novo ano. Ano que pode começar quando você quiser ou puder, que pode ter menos ou mais de 365 dias, que seja só seu ou compartilhado com quem você queira. Te desejo mais sonhos, mais esperança e mais amor. Agora e sempre. 

Sobre Lisboa, com amor

Eu poderia citar inúmeros motivos pra você incluir Lisboa na sua viagem de lua-de-mel, mas o principal deles é que essa cidade desperta sorrisos em quem passa por ela. E como, nessa fase pós-casamento, já há uma tendência forte, por parte dos apaixonados, de sorrir, acredito que Lisboa somada a você e seu amor seja uma combinação perfeita. Abaixo algumas dicas pra você tirar o melhor desse lugar.


{Acorde tarde} Diferente de outras capitais europeias, Lisboa permite que acordemos mais tarde e possamos curtir cada dia com tranquilidade. A cidade é pequena e notívaga. No verão, andar pelas ruas às 10 da manhã pode te dar a impressão de que são ainda 7. E tem coisa melhor do que não se preocupar com a hora depois de toda a correria no pré-casório e cansaço de uma festa bem aproveitada? Quanto ao almoço, de qualquer forma, é bom tomar cuidado: os restaurantes, em geral, fecham às 15hs.

{Hospede-se na zona central} O centro de Lisboa é chamado de Baixa, que é o bairro que fica bem à beira do Rio Tejo e onde aconteceram fatos históricos importantes. De um lado da Baixa está o Chiado e do outro a Alfama. Na outra extremidade, de frente pro Tejo, está a Avenida da Liberdade. Todos esse lugares te garantem uma boa hospedagem já que a maioria dos pontos turísticos imperdíveis estão mesmo nessa região. Uma opção, com a vantagem de te fazer sentir o gostinho de como seria morar na cidade, é alugar um apartamento através do site Airbnb.

{Ande} A pé, pra descobrir becos singulares; de bonde, pra ver a cidade através de janelinhas charmosas; ou de elevador, pra subir as ladeiras mais íngremes. Não se preocupe em pular de um ponto turístico a outro, mas em desvendar, de mãos dadas, essas ruas de paralelepípedos e pedras portuguesas, com casas forradas de azulejos. Ande pela Rua Augusta, fotografe o Arco Triunfal, atravesse a Praça do Comércio, se perca ouvindo fado pela Alfama, passeie pelo Chiado, alugue uma bicicleta no Parque das Nações, caminhe por Belém e aproveite cada um desses passos.


{Olhe pra cima} A arquitetura tão rica em detalhes é característica marcante de todo o país. Em Lisboa você vai poder apreciar a arquitetura manuelina do Mosteiro dos Jerônimos e o estilo pombalino das construções da Baixa. Bem como o céu azul onipresente em boa parte do ano, especialmente emoldurado pelas ruínas do Mosteiro do Carmo. E suba, pra poder conferir, por exemplo, as vistas do Castelo de São Jorge, do Elevador de Santa Justa e da Torre de Belém.

{Delicie-se} A cozinha portuguesa, como a maioria de nós, brasileiros, conhecemos, é simples, mas extremamente apetitosa. Você pode encontrar verdadeiros tesouros gastronômicos em lugares mínimos, como a Adega dos Lombinhos ou em restaurantes com lindas decorações como o Sacramento. Pode-se comer na calçada, como no Pateo 13 ou no terraço, como no Terraço BA. Se quiser, belisque enlatados no Sol e Pesca ou experimente diversos pratos no menu degustação do 100 maneiras. Lembrando que a comida portuguesa não se resume a bacalhau: qualquer peixe é sempre divinamente preparado, assim como as carnes de porco.

{Beba café} "Uma bica, se faz favor." é o código pra se conseguir uma xícara de café expresso. Depois do jantar ou do almoço, os portugueses se deslocam até uma cafeteria ou pastelaria especificamente para fechar a refeição com um cafezinho. Acompanhado de um pastel de natas (o melhor fica mesmo na Pastéis de Belém), de um pão de Deus da Padaria Portuguesa ou de uma queijada em qualquer lugar, é também uma boa opção prum lanchinho a qualquer hora. E pra tomar um desses com Fernando Pessoa, é só ir à "A Brasileira".


{Ame} O que me trouxe até essa cidade foi o amor e talvez seja por isso que eu veja tanto romance nela. Espero que, da mesma forma, você possa aproveitá-la com o amor da sua vida e sejam imensamente felizes nesses primeiros dias de casados. 



OBS: Esse post foi originalmente publicado no blog lindo da Manu, o Colher de Chá Noivas!

Do tamanho do mundo

O mundo é tão grande. Nesse momento mais de 7.000 km me distanciam da minha família, que mora em Niterói. Isso hoje, porque há pouco tempo meu pai morava a 900 km da minha mãe e meu irmão passou uma temporada 400 km longe deles. (Astrid, querida, se quiser filmar um episódio de "Chegadas e Partidas" lá em casa, é só falar!) Aqui na Europa, segundo menor continente do planeta, tem uns 50 países e eu pretendo visitar mais ou menos metade deles. Fora os países que quero conhecer em outros continentes, dos quais estou mais perto, como África e Ásia. Tantas línguas, tantas culturas, tanta gente. Quando ando pelas ruas de Lisboa fico imaginando quantas pessoas já andaram por cima dessas pedrinhas. Portugal tem atualmente cerca de 10 milhões de habitantes. Menos habitantes que o estado do Rio, o terceiro mais populoso do Brasil. No mundo são mais de 7 bilhões, sendo que nasce mais de um bebê a cada segundo.

E no meio de tanta gente eu encontrei o amor da minha vida morando do lado da minha casa, em Angra. 14 anos depois de nos conhecermos, mudamos de hemisfério, o que foi feito em menos de 10 horas de vôo. Uma das coisas que trouxemos foi o cd da Laurinha, pra diminuir a distância, amenizar a saudade e entregar pra Luísa, uma amiga portuguesa que ela conheceu no Brasil. Conheci Luisinha, seu primo brasileiro, Mateus, que estava passeando por aqui, e sua namorada, Bia, que, assim, como eu, fez faculdade de Direito (o que não é coincidência, já que metade da população do Rio de Janeiro, segundo estatísticas minhas, fez) e depois fez EMERJ, por sinal, na mesma turma que minha amiga de faculdade Aline. E por falar em amigas de faculdade, amanhã vou almoçar com a Ana Paula, que, fiquei sabendo, por acaso, através do facebook, estudou Farmácia com Geisa, com quem estudei no cursinho e de quem fui vizinha. O facebook também me informa das andanças da Tati, com quem comi pastéis de Belém na semana passada e que conheci em Londres, através do Filipe. Ah, o Filipe é um amigo que fiz quando passei um mês no Sertão Nordestino e que atualmente é missionário no Líbano, onde vive com sua linda esposa, Cris, que, aliás, já frequentou a mesma igreja que eu em Niterói. Igreja cujas pregações (sobre o que existe além desse mundo que podemos dimensionar) eu assisto aqui mesmo, no computador. Como esse mundo é pequeno.

Sintra e seus palácios

Sintra é uma vila que fica bem do ladinho de Lisboa e geralmente está incluída nos roteiros turísticos de quem vem pra cá, já que em poucos minutos, de trem, de carro ou de ônibus, se chega lá. Um dia de passeio em Sintra quase te faz pensar que você é da família real. Mas pra conhecer bem o lugar é necessário mais que um dia, dada a quantidade de parques, palácios e castelos que se pode visitar. Aí embaixo, uma listinha dos principais.

Castelo dos Mouros - Supõe-se que o castelo tenha sido construído em meados do século VIII pelos muçulmanos que ali moravam, tendo sua posse, juntamente com a posse de Sintra, sido alternada entre mouros e cristãos até o século XII. Mesmo após tanto tempo e destruição causada pelo terremoto de 1755, as muralhas que se vêem lá são ainda as originais. De lá de cima temos a vista de boa parte da região e do Atlântico, explicando o porquê do castelo ter sido tão disputado.

Palácio Nacional de Sintra -  Assim que se chega em Sintra, avista-se esse palácio e suas grandes chaminés em formato de cone. Desde sua construção, no século XII, já foi residência da família real e também utilizada como casa de verão, já que o clima em Sintra é bem mais fresquinho que em Lisboa. Com aquelas roupas que eles usavam, realmente devia ficar insuportável viver em Lisboa sem esse advento milagroso chamado ar condicionado.

Palácio de Monserrate - Construído por um inglês em 1858 para se tornar a residência de veraneio da família, é um típico exemplar do romantismo português e de como os ingleses adoram Portugal. O trabalho de paisagismo dos jardins que o rodeiam ficaram a cargo de um botânico e um pintor. Deve ser por isso que as fotos parecem mesmo quadros.

Palácio da Pena - Situado no ponto mais alto de Sintra, chama a atenção de qualquer um que passa por ali por causa do seu colorido. Foi construído no século XIX no lugar de um mosteiro que tinha sido muito afetado pelo terremoto de 1755. Com influências arquitetônicas mouriscas e manuelinas, o palácio é rodeado por um parque lindo acrescentando muito verde às suas cores.

Quinta da Regaleira - Você acha que é um adulto maduro até chegar nesse parque e perceber como pode se divertir tanto ao se perder em labirintos, andar por tuneis completamente escuros e atravessar laguinhos através de caminhos de pedras. A Quinta da Regaleira é um lugar incrível e dá pra passar um dia inteiro (ou mais) fazendo trilhas por lá. O parque e suas construções aliam a arquitetura renascentista, manuelina e gótica às ideias do seu antigo proprietário, um sonhador apaixonado por mitologia e esoterismo. Não sei onde mais seria possível encontrar uma torre cuja base fica abaixo do nível do chão e seu cume na superfície. Fotos não traduzem a experiência que é explorar esse lugar.

Ah, antes de ir embora de Sintra é imprescindível passar na Pastelaria Piriquita (Rua das Padarias, 1) e saborear a tradicional queijada ou o delicioso travesseiro. Ou os dois.

E como é que vai?

A pé - É minha forma preferida de me deslocar em qualquer lugar que eu vou. Aqui mais ainda. Porque, assim, eu consigo olhar a arquitetura bonita dessa cidade, entrar num beco que apareceu do nada e parar pra tomar um sorvete quando me dá na telha. O fato da cidade ser pequena também ajuda. E, além disso tudo, existem alguns lugares aqui em que é praticamente impossível chegar sem ser com os próprios pés. Eu tenho pra mim que só se conhece de verdade uma cidade quando se anda por ela. Mas tem que preparar as perninhas porque são muitas ladeiras pra subir! Ah, e quando você vir uma plaquinha escrita "passagem para peões" é com você mesmo, pedestre, que ela está falando.

Metrô (ou metro, assim sem acento) - Talvez porque não exista metrô na cidade em que eu morava. Talvez porque o metrô da cidade ao lado tenha linhas paralelas e pouco eficientes. Talvez porque as estações são quase todas lindas e temáticas e é sempre fresquinho lá embaixo. Talvez por tudo isso eu adore andar de metrô por aqui. O metrô vai até o aeroporto, o que também é bem legal pra quem tá chegando ou deixando a cidade, pois pode ser uma opção mais confortável que o ônibus (por conta das malas) e menos custosa que o taxi.

Ônibus (ou autocarro) - Quando a gente vai pra algum lugar onde o metrô não chega ou demoraria pra chegar, usamos o ônibus e pra isso consultamos o site da Carris. Lá tem todas as linhas e horários em que os ônibus passam, o que faz com que não esperemos quase nada no ponto (ou paragem). Mas, quando a gente não consulta a internet, chegamos no ponto e olhamos pra placa eletrônica que tem lá, onde constam os números dos ônibus que param ali e quanto tempo eles vão demorar pra chegar, sendo atualizada constantemente. Pra mim aquilo acontece por mágica. Mas Leandro me explicou que os ônibus devem ter aparelhinhos de GPS que fazem funcionar esse sistema.

Bonde (ou elétrico) - É o jeito mais lindo de chegar de um lugar a outro. Sem contar que ele é extremamente fotogênico. Quando estiver por aqui, repare. Quando o bonde passa, é um tal de todo mundo em volta sacar câmera, celular e afins. Um passeio no 28 é uma forma muito interessante de fazer um reconhecimento da cidade e ficar impressionado com a capacidade dele de passear em ruas estreitíssimas. Mas cuidado com sua carteira e com quem pode estar interessado nela enquanto você aprecia o cenário pela janela.

Tram - É a versão mais moderna e menos fofa do bonde. Super eficiente e não tem uma vez que eu entre nele e não me pergunte porque isso não existe em Niterói e no Rio. A resposta vem sempre em seguida, mas aqui a gente só vai falar de coisa boa.

Elevador - Com tanta ladeira alguém tinha que inventar algo que ajudasse. O formato é igualzinho ao do bonde e encontrar com algum deles é um grande alívio quando você olha aquele lugarzinho láááá em cima que você queria tanto ir. 

Taxi - Não é caro e, como as distâncias também não são muito grandes, acaba que, muitas vezes, vale muito a pena utilizá-lo, principalmente quando se está viajando em grupo ou com crianças, por conta da praticidade e maior aproveitamento do tempo.

Moto (ou mota. hahaha) - Não se vê muitas motos e scooters rodando pela cidade, mas é um ótimo meio pra deslocamentos de pequena distância dentro e ao redor de Lisboa, principalmente no verão, quando é raro chover. A grande vantagem é que não se perde tempo procurando (e não encontrando) vagas em estacionamentos. Alugamos essa bonitinha aí do lado na Scooter Solution.

Carro - O meio mais confortável e barato pra visitar e conhecer as cidades que ficam perto ou longe de Lisboa. Fora de temporada, o aluguel é bem barato e como o país é pequeno, dá pra conhecer tudinho de carro. Algumas opções de locadoras são Guerin, Eurorentlei e Goldcar.

Trem (ou comboio) - Pra se sentir realmente na Europa, viaje de trem. Os trechos curtos, para cidade próximas, são geralmente baratos. Os trechos longos, para cidades mais afastadas, são um pouco caros se comparados com que o que se pode gastar alugando um carro (isso fora de temporada). De qualquer forma, se você prefere não dirigir, é perfeito. Os trens são super confortáveis e rápidos e como, pra nós, brasileiros, essa é uma experiência pouco comum, eu super recomendo.

Teletransporte - É o melhor meio de locomoção de todos os tempos, mas como ainda não divulgaram sua invenção, para que possamos usufruir, fico eu aqui morrendo de saudades dos meus amores e esperando que eles possam chegar até aqui de avião mesmo.

Sobre panelas, o.b. e garfinhos de plástico

Ouvi falar sobre a Joana Vasconcelos pela primeira vez no ano passado, quando ela expôs alguns de seus trabalhos no Palácio de Versalhes, sendo a primeira mulher e artista plástica mais jovem a fazê-lo. Depois vi outros deles expostos no Museu Coleção Berardo, em Belém. Então, quando ouvi falar que os trabalhos mais interessantes dela estariam sendo expostos no Palácio Nacional da Ajuda até dia 25 de agosto, não podia perder a oportunidade. 

O negócio dela é pegar objetos do cotidiano e colocá-los sob outra perspectiva, num contexto totalmente diferente do usual. Esse tipo de trabalho dá uma torcidinha na minha mente, me faz pensar e rir, sem precisar de um sentido claro. E tudo isso é muito atrativo pra mim. A ousadia dela já é motivo suficiente pra eu gostar.

Decidimos ir na quinta-feira passada, quando seria feriado e o Lê poderia ir comigo. Não é o programa preferido dele, mas é tão bom ter a companhia dele e me divertir ouvindo ele zoando quase tudo. Eu fico toda feliz porque ele topa.

Chegamos lá e a fila pra entrar na exposição tava dando voltas no pátio, percebemos que não passaríamos lá menos de 2 horas. Dei uma super desanimada, mas não queria ter ido lá à toa. Leandro ficou na fila e eu fui achar a bilheteria. No caminho percebi um sinalzinho verde escrito "fast lane" e vi luz no final do túnel. O ingresso pra acessar a fila rápida custava 5 euros a mais e salvou nosso dia.

A exposição estava bem cheia, mas valeu cada centavo e minuto esperado. Entrar numa sala e dar de cara com um brilhante e enorme par de sapatos feitos de panelas de inox e suas tampas não acontece sempre. As fotos não traduzem 10% do que realmente são essas obras. É preciso ver de perto.

E o Lê estar lá foi essencial pra eu gostar ainda mais de tudo. Por motivos diferentes dos meus, ele encontrou interessância em várias das obras e esses motivos também me fizeram enxergar coisas que nem sequer passariam pela minha cabeça. Quando a gente passou por um robozinho todo feito de ferros de passar roupa, eu achei uma gracinha e segui em frente. Leandro me chamou e falou "fica aqui que eles vão se mexer" porque ele tinha percebido a mecânica da parada. E não é que eles se mexeram como flores desabrochando?! Enquanto eu morria de rir do lustre enorme e lindo feito de o.b. (exatamente isso: absorventes íntimos), ele tava lá pensando em quantos tinham sido usados e como foi feita a estrutura. Eu abobada olhando pra um coração gigante feito de talheres de plástico e ele tentando entender como aquilo podia ter sido feito.

Se um dia eu resolver virar artista plástica, já tenho a pessoa ideal pra fazer ideias mirabolantes se tornarem realidade.

O melhor de NYC

Pois é, vou eu me atrever a dar dicas sobre Nova York. Eu sei que todo mundo já fez isso e coisas escritas sobre essa cidade não faltam nas livrarias e blogs. Mas é justamente por isso que vou escrever. Se todo mundo já fez, porque não eu? :)

O melhor cookie da cidade - você encontra ao descer as escadinhas da Levain Bakery, na 74th com a Amsterdam Street. Eu nem sou muito fã de cookie, mas esse aí é outra categoria. Acho até que deveria receber outro nome essa coisa. Pra mim, o acompanhamento ideal pro cookie de chocolate (nunca tive coragem de comer outro sabor) é um copinho de leite gelado. Depois é só correr até o outro lado da cidade e pronto: calorias eliminadas. 

O melhor hamburguer da cidade - não foi saboreado exatamente na cidade, mas ali do ladinho, em Greenport. Preparado pelo Bryan e sua mãe, foi servido no rehearsal barbecue que aconteceu um dia antes do casamento. O hamburguer tava muito gostoso mesmo, mas degustar uma comida tipicamente americana num evento tipicamente americano em meio a pessoas tão tipicamente americanas tornou-o perfeito.

O melhor milk shake da cidade - fica num Shake Shack perto de você e tem sabor de chocolate, do melhor, derretido e gelado.

A melhor hospedagem da cidade - é a casa da Mari e do Bryan! (Fica aqui um agradecimento especial ao Bryan - que, aliás, é o melhor bombeiro da cidade - por ter nos recebido tão bem em sua casa, por ter aturado várias vozes femininas falando português ao mesmo tempo, pelo chá gelado nos dias quentes, pela preocupação e pelo bom humor, mesmo nos dias em que tinha trabalhado milhares de horas seguidas!) Mas o endereço deles é revelado pra poucos. Na verdade eu acho que todos os 5 leitores do blog já conhecem esse endereço. Mas se você está lendo isso e não é amigo da Mari, minha sugestão, diante dos precinhos nada amigos dos hotéis de Manhattan, é que você alugue um apartamento num lugar não tão frequentado por turistas e finja que mora lá. Porque melhor que conhecer NY, é morar lá.

O melhor parque da cidade - Cassia, uma amiga especialista nessa cidade, me apresentou o Bryant Park e nesse dia almoçamos lá. Eu amei de cara. Acho que gosto tanto dele porque numa cidade em que tudo é tão grande, onde tudo é tão overwhelming, aprecio lugares em que eu, estando em uma ponta, consiga avistar a outra ponta do ambiente. E porque lá eu me sinto muuuuito num filme. Tá, em quase todos os lugares de NY eu me sinto num filme. Mas desse filme eu gosto mais.

A melhor loja da cidade - um dia eu quero morar em NY. Mais precisamente na Anthropologie. Fizeram esse lugar pra mim e acabaram esquecendo de me mandar o convite pra eu me instalar. E se eu morasse lá, consequentemente, não teria que gastar um centavo com roupas, louças e fofurinhas, porque tudo já seria meu. Quem sabe um dia?

A melhor pessoa da cidade - é a Mari! Amiga, brigada por você morar aí!